Dia dos Animais e Dia da Adoção lembram que cuidar de um pet vai muito além de comida e abrigo
Celebradas em 4 de outubro, as duas datas reforçam que saúde, comportamento, ambiente e prevenção fazem parte do compromisso com cães e gatos ao longo de toda a vida.
Ter um cão ou um gato em casa vai muito além de garantir ração e um canto para dormir. Saúde, segurança, comportamento, ambiente, prevenção e respeito às necessidades de cada animal fazem parte de uma relação responsável, que dura a vida inteira do bicho.
Duas datas do calendário colocam o tema em evidência neste mês: o Dia Mundial dos Animais e o Dia da Adoção Animal, ambos em 4 de outubro. A primeira amplia a conversa sobre bem-estar e qualidade de vida. A segunda lembra que adotar pede avaliação cuidadosa e preparo, tanto da família quanto do animal.
Para a médica-veterinária Maria Fernanda Vianna Marvulo, professora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Max Planck (UniMAX, em Indaiatuba-SP), o bem-estar precisa ser medido pela rotina do animal: se ele tem comida e água adequadas, um lugar confortável para descansar, segurança e chance de brincar, explorar, se movimentar e interagir de acordo com a espécie e a personalidade.
“Essa data nos convida a transformar carinho em responsabilidade. Cães e gatos são seres sencientes: suas experiências importam para eles. Isso significa que nossa obrigação não termina em oferecer alimento e abrigo.”
Maria Fernanda Vianna Marvulo, médica-veterinária e docente da UniMAX
Já Conceição Henrique, médica-veterinária, gerente veterinária e responsável técnica do Instituto Ampara Animal, lembra que, na adoção, o compromisso começa antes de o animal chegar à casa nova. “Adotar um animal é uma decisão de longo prazo e envolve responsabilidade, planejamento e compromisso”, diz.
Bem-estar não é só ausência de doença
Segundo Maria Fernanda, a guarda responsável parte do entendimento de que cães e gatos têm necessidades próprias. O modelo dos Cinco Domínios, usado na medicina veterinária, avalia nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estado mental. Por esse critério, um animal com vacina e alimentação em dia ainda pode estar mal, se vive com medo, frustrado ou sem estímulos.
As necessidades também mudam com a idade. Filhotes precisam de cuidados voltados ao desenvolvimento; idosos podem exigir adaptações na casa, atenção à mobilidade, controle da dor e consultas mais frequentes. Deixar de brincar, ter dificuldade para subir nos lugares de sempre ou mudar hábitos de higiene não devem ser tratados automaticamente como “coisa da idade”: podem ser sinais de problemas tratáveis.
Conceição aplica a mesma lógica à adoção. Não existe animal ideal para todo mundo. Idade, porte, nível de energia, comportamento, necessidade de exercício e convivência com crianças ou outros bichos precisam ser comparados com a realidade de cada família.
Adoção responsável começa antes da chegada
Cães e gatos chegam à adoção por motivos diversos: abandono, maus-tratos, negligência, morte do tutor, mudanças na família ou vida nas ruas. Muitos carregam medo, insegurança, estresse, problemas de saúde ou dificuldade de socialização. Por isso, acolhimento, avaliação e acompanhamento veterinário e comportamental são etapas importantes antes do novo lar.
Antes de adotar, avalie
- Se há tempo na rotina para passeios, brincadeiras e cuidados diários
- Se o espaço da casa atende ao porte e à energia do animal
- Se o orçamento comporta ração, vacinas, vermífugos e consultas
- Se todos que moram na casa concordam com a decisão
- Como será a convivência com crianças e outros animais
- Para gatos: telas de proteção nas janelas, contra fugas e quedas
A veterinária cita a CasAdote, iniciativa que promove o encontro entre família e animal antes da decisão. A ideia é que convivência e informação façam parte da escolha, e que a adoção não aconteça só por urgência ou comoção.
Adaptação leva tempo
Depois da adoção vem a fase de adaptação. Medo, retraimento e mudanças de comportamento são comuns nos primeiros dias, já que o animal deixou um ambiente conhecido e ainda precisa entender que o novo espaço é seguro.
Conceição recomenda não exigir que o animal brinque, interaja ou demonstre carinho de imediato. Alguns se adaptam em dias; outros precisam de semanas ou mais. O caminho é montar uma rotina aos poucos, com alimentação adequada, água fresca, lugar seguro para descanso, higiene e acompanhamento veterinário, incluindo vacinas e prevenção contra parasitas.
A confiança se constrói sem gritos, castigos físicos ou situações que assustem. Observar a linguagem corporal e respeitar quando o animal quer se aproximar ou prefere ficar sozinho faz diferença. Para cães, farejar no passeio, brincar e interagir são oportunidades valiosas. Para gatos, ter esconderijos, lugares altos, arranhadores e a liberdade de escolher quando chegar perto.
“Considerar o comportamento e as emoções não é um cuidado extra, é parte do cuidado com a saúde de um ser senciente.”
Maria Fernanda Vianna Marvulo
Prevenção acompanha o animal por toda a vida
A responsabilidade não termina quando o pet se acostuma com a casa. Vacinação, controle de parasitas, boa alimentação e consultas periódicas ajudam a prevenir doenças e a identificar alterações cedo. O plano de prevenção deve levar em conta espécie, idade, histórico, estilo de vida e riscos de cada animal.
Sinais que pedem consulta veterinária
- Mudança persistente no apetite
- Beber muito mais ou menos água
- Alterações na urina ou nas fezes
- Vômito ou diarreia que se repetem
- Perda de peso
- Dificuldade para caminhar
- Sinais de dor ou tosse
- Alterações na pele
- Mudança forte de comportamento
- Gatos: esconder-se mais ou deixar de usar a caixa de areia
Conceição também destaca a identificação do pet. O SinPatinhas, cadastro nacional de cães e gatos, permite registrar dados como identificação, castração e vacinação. Para ela, combater o abandono exige ir além das ONGs de proteção animal.
“Precisamos trabalhar na prevenção, na educação, na identificação, na castração, no acesso à saúde veterinária e, principalmente, na conscientização de que um animal não é um objeto que pode ser descartado quando as circunstâncias mudam.”
Conceição Henrique, gerente veterinária do Instituto Ampara Animal
As duas datas chegam à mesma conclusão: o vínculo com um animal precisa vir acompanhado de responsabilidade. Para quem já tem um cão ou gato e para quem pensa em adotar, oferecer saúde, segurança e respeito significa entender que cada animal tem necessidades próprias, e que esse compromisso vale para todas as fases da vida dele.
Com informações de Cães&Gatos.